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Entrevistas

Carlyle Guerra de Macedo

Carlyle Guerra de Macedo nasceu no Estado do Piauí em 15 de abril de 1937. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco no ano de 1961. Recém-formado, foi para o Chile, onde realizou curso de Planificação de Saúde no Instituto Latino-americano de Planificação Econômica e Social (ILPES), instituição que posteriormente ingressou como instrutor. Após a realização do curso no ILPES, em 1964, o médico concluiu curso de Capacitação em Técnicas de Desenvolvimento Econômico, organizado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste e pela Comissão Econômica para o Progresso da América Latina (SUDENE/CEPAL). Em 1967, Carlyle freqüentou o curso e o seminário sobre Administração de Saúde e Comunicações na Universidade da Carolina do Norte e na Universidade de Pittsburgh, ambas nos Estados Unidos. Em 1968, o médico complementou sua formação com a licenciatura em Saúde Pública na Universidade do Chile e com o curso sobre Dinâmica da População no Centro Latino-americano de Demografia (CELADE), ainda no Chile.

Sua experiência internacional também se deu na esfera docente, pois ele se dedicou ao magistério em universidades estrangeiras durante alguns anos, especialmente em escolas de Saúde Pública na América Latina, entre elas a Universidade do Chile, a Faculdade Nacional de Saúde Pública da Colômbia, a Escola Nacional de Saúde Pública do México, a Escola Nacional de Saúde Pública do Peru e a Escola de Saúde da Universidade de Buenos Aires. No mesmo contexto ele foi consultor e instrutor do Instituto Latino-americano de Planificação Econômica e Social (ILPES) no ano de 1969 e mais permanentemente durante o período 1970-1975. Nesse ano, Carlyle volta ao Brasil para coordenador o Grupo Técnico do Programa de Preparação Estratégica de Pessoal de Saúde (PPREPS), fruto do acordo de cooperação técnica entre a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) e os ministérios da Saúde e da Educação do Brasil.

No Brasil, Carlyle Guerra de Macedo dedicou-se também à coordenação do Projeto de Colonização do Maranhão e à organização e chefia da Divisão de Saúde no Departamento de Recursos Humanos, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) entre 1962 e 1963, então recém-formado em medicina. Ele foi responsável pela implantação da Secretaria de Saúde do Estado de Piauí, onde organizou o Primeiro Plano Estatal de Saúde (1965-66), e permaneceu até 1970. Além disso, foi também membro do Conselho de Desenvolvimento, no mesmo estado, durante o período 1966-1969.

Já em âmbito nacional, Carlyle dirigiu o Programa Nacional de Serviços Básicos de Saúde (1981), integrou o Conselho Nacional de Saúde, o Conselho de Recursos Humanos do Programa Nacional de Alimentação e Nutrição e o Conselho Nacional de Saúde. Coordenou os trabalhos do PPREPS de 1976, quando o grupo é criado, até 1983, ano que assumiu a Direção da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) em Washington. Em sua gestão no PPREPS, merece destaque o esforço para o desenvolvimento de uma política de descentralização dos serviços de saúde, particularmente no que diz respeito à formação de pessoal auxiliar de saúde. Com a abertura temática e de objetivos do Programa ao final dos anos 1970, Carlyle foi personagem importante também nos debates e esforços para a implementação de um projeto de ampliação da cobertura dos serviços básicos de saúde no país, como foi o caso do Prev-Saúde, a partir de 1980.

Sua inserção na OPAS se deu inicialmente com a chefia da Divisão de Adestramento do Centro Pan-americano de Planificação da Saúde, no Chile, durante o período 1970-1971. Posteriormente, como dissemos, como coordenador técnico do Programa de Preparação Estratégica de Pessoal de Saúde (PPREPS), quando ocupou o cargo de consultor da Organização no país. Por fim, ao assumir o cargo mais alto na hierarquia da Organização em fevereiro de 1983, após eleição no ano anterior. Como diretor eleito, Carlyle permaneceu durante dois mandatos, até o ano de 1995, quando assumiu o médico George Alleyne. Na OPAS, Carlyle Guerra de Macedo priorizou investimentos na área do ensino de Saúde Pública e na organização de sistemas de expansão de cobertura de serviços de saúde, bandeira levantada pela Organização desde a redação dos Planos Decenais de Saúde a partir dos anos 1960. Nesse quadro, seu esforço também incluiu o desenvolvimento da área da Saúde Coletiva. Além disso, ele foi também vice-presidente da Comissão Mundial para a Certificação da Erradicação da Poliomielite, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Carlyle Guerra de Macedo foi personagem relevante nos debates sobre financiamento e o papel das políticas de saúde nos anos 1980, período tanto de recessão nacional, com o final da chamado milagre brasileiro; como internacional, diante da chamada crise do petróleo que atingiu o globo a partir do final dos anos 1970. Nesse quadro, por exemplo, enquanto instituições como o Banco Mundial encaravam a Saúde como uma forma de compensar a população pobre pelo estado de extrema exclusão, por outro lado, Carlyle – na esteira dos desenvolvimentistas -- compreendia a bandeira da Saúde como um caminho atrelado à promoção social e ao desenvolvimento econômico.

Naquele contexto, não à-toa a OPAS procurou promover uma gestão do conhecimento que enfatizou a idéia de democratização da informação com o fim de promover melhorias e avanços no desenvolvimento dos programas e das atividades de saúde pública. Assim a produção de livros textos pelo programa editorial da Organização aliada à ação da BIREME foram os veículos usados como parte dessa proposta e estratégia.

Suas intensas atividades institucionais não impediram que Carlyle Guerra de Macedo se dedicasse à produção intelectual. Ele publicou trabalhos sobre cooperação técnica, preparação de pessoal de saúde, perspectivas e rumos da saúde mundial, perspectivas da epidemiologia e o papel da OPAS. Com base em registros de conferências e discursos que proferiu, pode-se contabilizar mais de 120 textos elaborados.

Carlyle Guerra de Macedo é filiado a várias associações médicas na América Latina e é Presidente Honorário do Colégio Interamericano de Médicos e Cirurgiões. Por sua atuação, ele foi laureado com condecorações e prêmios na Guatemala, Peru, Colômbia, Bolívia, Honduras, Cuba, Venezuela, Estados Unidos, Espanha e Brasil. Atualmente ele é Diretor-emérito da Organização Pan-americana da Saúde.

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